

Quando se trata de poder, a Marvel possibilita diversas interpretações. Há várias formas de poder nas produções do estúdio e nem todas são tão explicitas quanto a força que vem com o soro do super soldado.
Há o poder das armaduras high tech, criadas para que um bilionário se sinta seguro em um mundo onde suas próprias armas são suas inimigas. Há o poder das próprias armas, capaz de gerar tamanho pavor que leva um homem, que as tinha como toda a segurança de que poderia vir a precisar, a criar uma tecnologia para enfrentá-las.
Há os superpoderes presentes em deuses alienígenas, humanos melhorados, usuários de magia com uma supraconsciência de seu próprio universo e em tantas outras figuras de tamanho poder que levam um homem a reunir uma equipe de superpoderosos por medo do que pode vir a seguir. Há o poder do medo, que leva as pessoas a decisões arriscadas e mesmo desumanas.
Há o poder das Joias do Infinito, que leva um titã louco (ou visionário, dependendo dos olhos de quem vê) em uma busca implacável para acabar com metade da vida no universo. Há o poder da resistência, que envia um grupo através do tempo e do espaço para fazer o impossível.
Há a própria encarnação do poder, através da joia roxa que o representa. Dentre as seis joias do infinito, a do poder é aquela que provoca a destruição, que transforma um planeta em poeira cósmica. Simbolicamente, uma pessoa ordinária não pode acessá-la sozinha sem se autodestruir, mas um grupo é capaz de sustentá-la com relativa segurança, seja para mal ou para o bem.

Os “Guardiões da Galáxia” se unem para suportar a Joia do Poder
Reprodução de: Ei Nerd
Fora das telas, o poder também pode ser entendido de várias formas. Uma delas é a capacidade de atingir as pessoas e gerar tamanho público, que terminou por criar um fenômeno cinematográfico como nunca antes visto. Uma série a longo prazo, com episódios de mais de duas horas se intercalando ao longo dos anos, com lançamentos anuais, semestrais ou mesmo trimestrais, acompanhando a vida de dezenas de personagens e atingindo milhões de pessoas, de todas as idades, gêneros e classes sociais.
É pensando nesse alcance estrondoso visto em “Espaço” que fica impossível não considerar o impacto que este universo teve na realidade, o seu verdadeiro superpoder. Muitos se perguntariam: sim, eles alcançam muita gente, e?
De fato, ter um grande alcance não é tão importante quanto o que ele provoca nas pessoas que alcança, em outras palavras, o que dissemina a esse tamanho público. No entanto, no que se refere a mensagem e conteúdo, a Marvel não deixa a desejar.
Como filmes de ficção científica que são, as hiperproduções do estúdio estão carregadas de conhecimentos das mais diversas áreas da ciência: química, física, psicologia e filosofia, por exemplo. Esses conceitos estão inseridos no conteúdo de forma dinâmica e facilmente assimilável, somados a certa comédia e na boca de personagens que prendem a atenção.
Nem sempre o ambiente escolar ou acadêmico desperta a curiosidade ou o interesse de crianças e adolescentes, mas esses filmes têm a capacidade de fazer isso. De fazer alguém correr atrás de mais informação. De tornar algo tão interessante ou inspirador que uma pessoa escolhe um curso universitário com base nisso. De transformar em diversão aquilo que sempre pareceu chato, entediante ou sem sentido.

Pedro Rossi escolheu o curso de engenharia por causa de “Homem de Ferro”
Veja mais em: Mente
Se posso me usar como exemplo, os anos que passei na universidade foram marcados por alguns trabalhos cujos temas fugiram um pouco do tradicional e um deles causou um grande impacto. Apesar de não se tratar especificamente da Marvel, ainda que contando com uma participação especial do estúdio, ele é um exemplo válido aqui para trazer à tona o potencial de engajamento que o mundo da ficção tem. O objetivo, naquela época, era tratar o feminismo, assunto extremamente sério, ao longo da história da Disney, para dar um pouco mais de leveza e atrair a atenção. Acredite ou não, ele foi atingido com sucesso.
Foi um momento divertido e gratificante. Ver as pessoas reagindo ao que era dito, debatendo, lembrando das cenas, cantando as músicas juntas. Posso ou não estar certa, mas a sensação foi a de que realmente consegui atingir alguém com aquilo. A ficção pode não ser considerada séria por muitos e tudo bem, mas subestimar o alcance que dá a temas sérios talvez não seja a melhor escolha.

Talvez não seja o suficiente para que toda a informação disponível sobre uma determinada linha de pensamento, mas pode ser um estopim. Pode ser a linha de exemplo escolhida por um professor que vai tornar o assunto mais assimilável para os alunos, mais presente em suas vidas. Que vai acender a chama do interesse e iniciar um debate real sobre aquilo. Como foi o proposto pelo professor Arthur Gibson Pereira Pinto, que sempre acreditou no potencial educativo dos quadrinhos e resolveu criar um guia para outros professores pudessem adequar sua didática a cultura POP..
Capa de “Super Heróis e o Ensino de História”
O professor de física da University of Central Florida (UCF, tradução: Universidade do Centro da Flórida), Swaminathan Rajaraman, parece concordar com essa visão e é bem esperanço quanto a ela. Em uma entrevista para o jornal da universidade, o doutor comentou que “a peça de educação científica nos filmes, mesmo através de teorias absurdas, é muito importante, pois conduzem discussões e pensamentos científicos sobre esses assuntos”. Para ele, o mais importante não é transmitir o conhecimento concreto e pronto, mas causar no expectador uma tal curiosidade que o faça buscar aquela informação por si mesmo e, quem sabe, acrescentar seu próprio ponto de vista a ela. “Pode ser muito benéfico para o nosso futuro”, completa.
Esse é um dos poderes em potencial da Marvel, assim como de outros filmes de ficção científica: disseminar informação, criar curiosidade, inspirar a mudança e motivar ao crescimento, porém não é o único.
Outro poder a ser pensado e analisado é um comum a todos os filmes e a área cinematográfica em geral: a forma como as histórias são transformadas pela sociedade e em como a transformam. Em outras palavras, o cinema pode ser descrito da mesma forma que Clint Barton (Gavião Arqueiro) descreve o Tesseract: “uma porta para o outro lado do universo […] Uma porta abre para os dois lados”.
Os filmes, em geral, acompanham as mudanças sociais ou até mesmo as preveem. Têm a possibilidade de pensar uma realidade alguns passos à frente da atual, não apenas em tecnologia ou ciência, mas também socialmente. Através das telas, é possível imergir em um papel diferente no desempenhado na vida real e experimentar a realidade do próximo, ver suas dificuldades e sentir na pele suas tristezas. Isso gera não apenas reflexão e conhecimento, mas também empatia, e a empatia, por sua vez, pode provocar uma mudança de visão e, por consequência, uma mudança de ação.
Na Marvel, a questão social está presente de forma particularmente acentuada. Desde os primórdios da empresa, a forma como os consumidores puderam e podem se identificar com os heróis da companhia foi um forte chamariz e um dos principais motivos para o sucesso estrondoso.
Foi a esse mesmo resultado que chegou o já citado Maurício Ribeiro, em sua monografia. Ainda que, no caso, o objeto de pesquisa tenha sido uma situação menos positiva do que as abordadas acima. Em termos simples, o UCM dissemina uma visão dos Estados Unidos que faz o país, de uma forma ou outra, se sobressair ou lucrar – o que é conhecido como Soft Power.
A conclusão do autor foi muito semelhante à analisada aqui: esses filmes, considerando o tamanho de seu público, não só podem como são capazes de transmitir informações e pontos de vista em larga escala e com sucesso. E isso não se deve apenas ao alcance das obras, mas só seu próprio conteúdo, “os temas dos filmes englobam desde relacionamentos familiares, de amizade, até tramas políticas internacionais complexas. Outro ponto forte é a representatividade das personagens, que é extensa ao ponto de abordar a maioria dos grupos sociais”.
De acordo com o autor, tal diversidade faz com que todos possam, de uma forma ou outra, se identificar com os personagens e suas histórias e isso estreita os laços com o público, aumentando seu impacto. Maurício ligou isso a um fato perigoso: transmitir uma imagem dos EUA que não é de toda verdadeira e que coloca o país acima de todo o resto. No entanto, a mesma conclusão também pode ser associada a outros tópicos.Esse é um dos poderes em potencial da Marvel, assim como de outros filmes de ficção científica: disseminar informação, criar curiosidade, inspirar a mudança e motivar ao crescimento, porém não é o único.
É claro que isso não faz sentido quando se pensa em uma riqueza tão expressiva que possibilita que um único homem construa um acelerador de particular na garagem de casa, da existência de um simbionte feito com um metal imaginário ou de um uniforme pomposo com asas funcionais.
No entanto, faz todo sentido quando se pensa em um homem que se culpa pela morte dos pais mesmo que não tenha culpa nenhuma, além de ter sido um adolescente irritante. Um amor impossível que leva duas pessoas a esquecerem rixas e origens e lutarem para estar juntas em um mundo onde não se encaixam. Um homem negro que trava uma batalha interna sobre querer ou não ser o rosto de um país com uma história trágica de racismo e opressão.
É na briga entre dois grupos de heróis, com pensamentos diferentes, que se pode ver que o inimigo pode até ser o mesmo, mas a forma como se luta contra ele pode ser diferente. Que boas intenções nem sempre fazem boas ações. Que, mesmo na rivalidade, sempre deve-se ter moral e ética.

Homem de Ferro (“Homem de Ferro 2”)
Reprodução de: Zappeando
Visão (“Wanda Vision”)
Reprodução de: Adoro Cinema
Falcão (“Capitão América: Guerra Civil”)
Reprodução de: ePipoca
Tony Stark (“Capitão América: Guerra Civil”)
Reprodução de: IGN Portugal
Wanda e Visão (“Wanda Vision”)
Reprodução de: Blogue da Monique
Sam Wilson – (“Falcão e o Soldado Invernal”)
Reprodução de: Salada de Cinema
Há muitos ensinamentos a serem tirados das ações dos heróis da Marvel, na forma como encaram a vida, nos traumas que superam e nas batalhas que lutam contra si mesmos. Basta apenas um pouco de criatividade e atenção para perceber que um veterano de guerra voador ou com um braço robótico ainda é um veterano de guerra, ou que um menino rico traumatizado, embora em uma armadura de ferro, ainda é um menino rico traumatizado. A realidade pode ser mascarada das formas mais inusitadas, mas por trás de todas as fantasias e armas, ainda é a realidade.
Se observa isso de forma acentuada em mais de um momento ao longo dos filmes, seja com a sutileza da metáfora política em “Capitão América: Guerra Civil” (“Capitain America; Civil War”, 2016) – onde as opiniões antagônicas de Steve Rogers (Capitão América) e Tony Stark (Homem de Ferro) representam as mesmas divergências passiveis de serem observadas nas disputas entre direita e esquerda. Ou com a explicita crítica contra o sistema financeiro que fornece empréstimos apenas para aqueles que não precisam deles como vemos em “Falcão e o Soldado Invernal” (“Falcon and the Winter Soldier”, 2021), onde também está retrata a difícil situação de pessoas negras nos Estados Unidos, assim como no mundo
Cenas de “Capitão América: Guerra Civil” e de “Falcão e o Soldado Invernal”
Reprodução de: Além do Roteiro; Vingadores da Depressão; E-Pipoca; Legião dos Heróis
Um resumo de tudo sobre o que Poder se trata, é Daniele Silva Santos. Estudante de geografia na Universidade Federal do Amazonas, a manauara conheceu a Marvel cerca de 6 anos atrás através, acredite ou não, da Sessão da Tarde. Foi quando conheceu o Capitão América, também conhecido como o primeiro vingador, além de quando começou a se inspirar com esse e outros personagens.
A história dela está na aba a baixo, basta clicar e conhecer uma heroína da vida real.
Ela vê o UCM como refúgio emocional e mental para todas as dificuldades do dia-a-dia. Em suas palavras, é “uma espécie de ‘porto seguro’ para que eu possa continuar a seguir meu caminho na Universidade, a qual é um ambiente de pressão e ansiedade”. E a importância emocional que as produções têm em sua vida não termina por aí. Observando os personagens, suas vidas, suas lutas, seus erros e acertos, ela conseguiu construir confiança, não apenas em si mesma, mas também em lidar com situações estressantes, “encontro nos personagens o motivo para seguir em frente sem medo de errar e lidar com situações de medo, pressão”, completa.






Pesquisas referentes a Amazônia realizadas por grupo da PIBIC do qual Daniele faz parte
Esse é um ótimo começo, mas não está nem perto do final. Ao longo dos seis anos nos quais a ligação de Daniele com a Marvel nasceu e cresceu, muitas coisas aconteceram. A proposta de Realidade é que as produções do estúdio, por trazerem aspectos da realidade, podem ensinar os expectadores ou despertar neles a curiosidade e/ou interesse em um assunto. Acontece que a futura geógrafa conheceu as duas situações e em mais de um cenário.
O primeiro exemplo data de 2018, ano de lançamento do sucesso de bilheteria e público que foi “Pantera Negra” (“Black Phanter”). Dessa produção, ela tomou o resultado do conflito entre T’Challa e Killmonger como uma metáfora sobre o preconceito racial e de que a melhor forma de lutar contra ele não é através do ódio, “o protagonista, T’Challa, explica que, em síntese, não funciona deste modo e o racismo proferido por brancos a negros deve ser corrigido com educação e não violência”, completa ela.
Já no que se refere a ter o interesse desperto por um personagem ou por um conceito apresentado no UCM, ela tem duas lembranças e ambas conversam perfeitamente com dois dos exemplos que, ainda que de formas diferentes, são trabalhados na joia da Realidade: O desenvolvimento do Doutor Steven Strange e a física quântica.




Indo por ordem cronológica, começamos pelo impacto derivado da história do médico arrogante que se vê abandonando tudo que acreditava ser verdade e virando um mago. É nas artes místicas que ele aprende a manipular que Daniele se viu interessada a tal ponto que mergulhou em uma profunda busca sobre o assunto, “encontrei mitologias de religiões que cultuam entidades, magia utilizada por povos ciganos, mantras, culinária específica para os praticantes de artes místicas (magos) que se situam na parte oriental do globo terrestre”. No fim, ela se deparou com uma realidade cultural que está presente na ficção, “uma questão cultural é apresentada no decorrer do filme”, pondera.
Doutor Estranho e Budismo
Reprodução de: Revista Galileu; Instituto Loureiro; G1; Ei Nerd
No que tange a sua incursão ao mundo quântico, tudo começou com o Homem Formiga. Foi com o herói que muda de tamanho que ela conheceu o que veio a definir, após extensa pesquisa, como as “dimensões próximas ou abaixo da escala atômica”. Daniele se aprofundou em artigos e outras produções acadêmicas nacionais e, ainda que não tenha se alongado ou mudado sua área de estudo, não apenas aprendeu algo novo mas também consegue voltar e encontrar a realidade na ficção para além da origem de seu interesse, “pesquisadores buscam descobrir se esta dimensão realmente existe, e seria classificada como a quinta dimensão, e o que esta pode proporcionar se no futuro fora dominada ou se há vida biológica nesta, como aponta o filme”.


Reino Quântico em “Homem Formiga e Vespa” (2018)
Reprodução de: Marvel 616
Ainda tangenciando a joia da Mente e o simbolismo empregado sobre ela nesta reportagem, a universitária está dando exemplos desde os 14 anos. Como ocorreu com outros, a senhorita Santos foi influenciada pelo Homem de Ferro e seu mundo de tecnologia tão inovadora que chega a ser mágica. “Me inspirei na infância com o Homem de ferro, com seu traje de lata tecnologicp e acabei produzindo um comando de ativação de aplicativos no meu Notebook aos 14 anos”, conta ela.
E não para por aí. A motivação derivada pela Marvel e suas produções, representada pela joia da alma, está atualmente presente na vida da geografa. No que tange esse tópico, sua maior heroína, e, também sua preferida, é Natasha Romanoff, a Viúva Negra. Talvez por se reconhecer em sua história, a personagem lhe proporcionou a vontade de viver algumas novas experiências, como ter aulas de artes marciais por dois anos ou, algo ainda mais assombroso: “faço aulas de aviação para ser piloto também por causa da personagem, pois ela sabe pilotar muitos meios de transporte”.
“A Marvel tem um peso na minha vida no quesito de inspiração. Se eu não tivesse contato com a franquia provavelmente eu seria uma pessoa insegura, medrosa. Não teria desenvolvido minha dicção e oratória (pois leio muitos quadrinhos e livros da franquia). E, provavelmente, não estaria na Universidade, produzindo artigos científicos, pois a Marvel tem personagens cientistas como Bruce Banner onde tomo também como inspiração.”
(Daniele Silva Santos)
Daniele sentiu na própria pele, ao longo de várias etapas na sua vida, quanto potencial o UCM tem para aqueles dispostos a perceber isso.
Ela vê o UCM como refúgio emocional e mental para todas as dificuldades do dia-a-dia. Em suas palavras, é “uma espécie de ‘porto seguro’ para que eu possa continuar a seguir meu caminho na Universidade, a qual é um ambiente de pressão e ansiedade”. E a importância emocional que as produções têm em sua vida não termina por aí. Observando os personagens, suas vidas, suas lutas, seus erros e acertos, ela conseguiu construir confiança, não apenas em si mesma, mas também em lidar com situações estressantes, “encontro nos personagens o motivo para seguir em frente sem medo de errar e lidar com situações de medo, pressão”, completa.






Pesquisas referentes a Amazônia realizadas por grupo da PIBIC do qual Daniele faz parte
Esse é um ótimo começo, mas não está nem perto do final. Ao longo dos seis anos nos quais a ligação de Daniele com a Marvel nasceu e cresceu, muitas coisas aconteceram. A proposta de Realidade é que as produções do estúdio, por trazerem aspectos da realidade, podem ensinar os expectadores ou despertar neles a curiosidade e/ou interesse em um assunto. Acontece que a futura geógrafa conheceu as duas situações e em mais de um cenário.
O primeiro exemplo data de 2018, ano de lançamento do sucesso de bilheteria e público que foi “Pantera Negra” (“Black Phanter”). Dessa produção, ela tomou o resultado do conflito entre T’Challa e Killmonger como uma metáfora sobre o preconceito racial e de que a melhor forma de lutar contra ele não é através do ódio, “o protagonista, T’Challa, explica que, em síntese, não funciona deste modo e o racismo proferido por brancos a negros deve ser corrigido com educação e não violência”, completa ela.
Já no que se refere a ter o interesse desperto por um personagem ou por um conceito apresentado no UCM, ela tem duas lembranças e ambas conversam perfeitamente com dois dos exemplos que, ainda que de formas diferentes, são trabalhados na joia da Realidade: O desenvolvimento do Doutor Steven Strange e a física quântica.




Doutor Estranho e Budismo Reprodução de: Revista Galileu; Instituto Loureiro; G1; Ei Nerd
No que tange a sua incursão ao mundo quântico, tudo começou com o Homem Formiga. Foi com o herói que muda de tamanho que ela conheceu o que veio a definir, após extensa pesquisa, como as “dimensões próximas ou abaixo da escala atômica”. Daniele se aprofundou em artigos e outras produções acadêmicas nacionais e, ainda que não tenha se alongado ou mudado sua área de estudo, não apenas aprendeu algo novo mas também consegue voltar e encontrar a realidade na ficção para além da origem de seu interesse, “pesquisadores buscam descobrir se esta dimensão realmente existe, e seria classificada como a quinta dimensão, e o que esta pode proporcionar se no futuro fora dominada ou se há vida biológica nesta, como aponta o filme”.


Reino Quântico em “Homem Formiga e Vespa” (2018) Reprodução de: Marvel 616
Ainda tangenciando a joia da Mente e o simbolismo empregado sobre ela nesta reportagem, a universitária está dando exemplos desde os 14 anos. Como ocorreu com outros, a senhorita Santos foi influenciada pelo Homem de Ferro e seu mundo de tecnologia tão inovadora que chega a ser mágica. “Me inspirei na infância com o Homem de ferro, com seu traje de lata tecnologicp e acabei produzindo um comando de ativação de aplicativos no meu Notebook aos 14 anos”, conta ela.
E não para por aí. A motivação derivada pela Marvel e suas produções, representada pela joia da alma, está atualmente presente na vida da geografa. No que tange esse tópico, sua maior heroína, e, também sua preferida, é Natasha Romanoff, a Viúva Negra. Talvez por se reconhecer em sua história, a personagem lhe proporcionou a vontade de viver algumas novas experiências, como ter aulas de artes marciais por dois anos ou, algo ainda mais assombroso: “faço aulas de aviação para ser piloto também por causa da personagem, pois ela sabe pilotar muitos meios de transporte”.
“A Marvel tem um peso na minha vida no quesito de inspiração. Se eu não tivesse contato com a franquia provavelmente eu seria uma pessoa insegura, medrosa. Não teria desenvolvido minha dicção e oratória (pois leio muitos quadrinhos e livros da franquia). E, provavelmente, não estaria na Universidade, produzindo artigos científicos, pois a Marvel tem personagens cientistas como Bruce Banner onde tomo também como inspiração.”
(Daniele Silva Santos)
Daniele sentiu na própria pele, ao longo de várias etapas na sua vida, quanto potencial o UCM tem para aqueles dispostos a perceber isso.
Os heróis têm pouco de real quando estão em seus trajes lutando por um mundo maniqueísta, onde tudo é preto ou branco, mas suas identidades secretas contam histórias muito diferentes. São as pessoas que admiram, as profissões que escolhem, os traumas que superam, seus talentos, seus cérebros científicos e suas concepções do universo e da sociedade que têm o grande potencial de causar reflexão e mudança, de expressar, em momentos marcantes, diálogos emocionantes, cenários impactantes e efeitos especiais explosivos, a realidade.
A JORNADA CONTINUA EM
Quando se trata de poder, a Marvel possibilita diversas interpretações. Há várias formas de poder nas produções do estúdio e nem todas são tão explicitas quanto a força que vem com o soro do super soldado.
Há o poder das armaduras high tech, criadas para que um bilionário se sinta seguro em um mundo onde suas próprias armas são suas inimigas. Há o poder das próprias armas, capaz de gerar tamanho pavor que leva um homem, que as tinha como toda a segurança de que poderia vir a precisar, a criar uma tecnologia para enfrentá-las.
Há os superpoderes presentes em deuses alienígenas, humanos melhorados, usuários de magia com uma supraconsciência de seu próprio universo e em tantas outras figuras de tamanho poder que levam um homem a reunir uma equipe de superpoderosos por medo do que pode vir a seguir. Há o poder do medo, que leva as pessoas a decisões arriscadas e mesmo desumanas.
Há o poder das Joias do Infinito, que leva um titã louco (ou visionário, dependendo dos olhos de quem vê) em uma busca implacável para acabar com metade da vida no universo. Há o poder da resistência, que envia um grupo através do tempo e do espaço para fazer o impossível.
Há a própria encarnação do poder, através da joia roxa que o representa. Dentre as seis joias do infinito, a do poder é aquela que provoca a destruição, que transforma um planeta em poeira cósmica. Simbolicamente, uma pessoa ordinária não pode acessá-la sozinha sem se autodestruir, mas um grupo é capaz de sustentá-la com relativa segurança, seja para mal ou para o bem.

Os “Guardiões da Galáxia” se unem para suportar a Joia do Poder
Reprodução de: Ei Nerd
Fora das telas, o poder também pode ser entendido de várias formas. Uma delas é a capacidade de atingir as pessoas e gerar tamanho público, que terminou por criar um fenômeno cinematográfico como nunca antes visto. Uma série a longo prazo, com episódios de mais de duas horas se intercalando ao longo dos anos, com lançamentos anuais, semestrais ou mesmo trimestrais, acompanhando a vida de dezenas de personagens e atingindo milhões de pessoas, de todas as idades, gêneros e classes sociais.
É pensando nesse alcance estrondoso visto em “Espaço” que fica impossível não considerar o impacto que este universo teve na realidade, o seu verdadeiro superpoder. Muitos se perguntariam: sim, eles alcançam muita gente, e?
De fato, ter um grande alcance não é tão importante quanto o que ele provoca nas pessoas que alcança, em outras palavras, o que dissemina a esse tamanho público. No entanto, no que se refere a mensagem e conteúdo, a Marvel não deixa a desejar.
Como filmes de ficção científica que são, as hiperproduções do estúdio estão carregadas de conhecimentos das mais diversas áreas da ciência: química, física, psicologia e filosofia, por exemplo. Esses conceitos estão inseridos no conteúdo de forma dinâmica e facilmente assimilável, somados a certa comédia e na boca de personagens que prendem a atenção.
Nem sempre o ambiente escolar ou acadêmico desperta a curiosidade ou o interesse de crianças e adolescentes, mas esses filmes têm a capacidade de fazer isso. De fazer alguém correr atrás de mais informação. De tornar algo tão interessante ou inspirador que uma pessoa escolhe um curso universitário com base nisso. De transformar em diversão aquilo que sempre pareceu chato, entediante ou sem sentido.

Pedro Rossi escolheu o curso de engenharia por causa de “Homem de Ferro”
Veja mais em: Mente
Se posso me usar como exemplo, os anos que passei na universidade foram marcados por alguns trabalhos cujos temas fugiram um pouco do tradicional e um deles causou um grande impacto. Apesar de não se tratar especificamente da Marvel, ainda que contando com uma participação especial do estúdio, ele é um exemplo válido aqui para trazer à tona o potencial de engajamento que o mundo da ficção tem. O objetivo, naquela época, era tratar o feminismo, assunto extremamente sério, ao longo da história da Disney, para dar um pouco mais de leveza e atrair a atenção. Acredite ou não, ele foi atingido com sucesso.
Foi um momento divertido e gratificante. Ver as pessoas reagindo ao que era dito, debatendo, lembrando das cenas, cantando as músicas juntas. Posso ou não estar certa, mas a sensação foi a de que realmente consegui atingir alguém com aquilo. A ficção pode não ser considerada séria por muitos e tudo bem, mas subestimar o alcance que dá a temas sérios talvez não seja a melhor escolha.

Capa de “Super Heróis e o Ensino de História”
Talvez não seja o suficiente para que toda a informação disponível sobre uma determinada linha de pensamento, mas pode ser um estopim. Pode ser a linha de exemplo escolhida por um professor que vai tornar o assunto mais assimilável para os alunos, mais presente em suas vidas. Que vai acender a chama do interesse e iniciar um debate real sobre aquilo. Como foi o proposto pelo professor Arthur Gibson Pereira Pinto, que sempre acreditou no potencial educativo dos quadrinhos e resolveu criar um guia para outros professores pudessem adequar sua didática a cultura POP.
O professor de física da University of Central Florida (UCF, tradução: Universidade do Centro da Flórida), Swaminathan Rajaraman, parece concordar com essa visão e é bem esperanço quanto a ela. Em uma entrevista para o jornal da universidade, o doutor comentou que “a peça de educação científica nos filmes, mesmo através de teorias absurdas, é muito importante, pois conduzem discussões e pensamentos científicos sobre esses assuntos”. Para ele, o mais importante não é transmitir o conhecimento concreto e pronto, mas causar no expectador uma tal curiosidade que o faça buscar aquela informação por si mesmo e, quem sabe, acrescentar seu próprio ponto de vista a ela. “Pode ser muito benéfico para o nosso futuro”, completa.
Esse é um dos poderes em potencial da Marvel, assim como de outros filmes de ficção científica: disseminar informação, criar curiosidade, inspirar a mudança e motivar ao crescimento, porém não é o único.
Outro poder a ser pensado e analisado é um comum a todos os filmes e a área cinematográfica em geral: a forma como as histórias são transformadas pela sociedade e em como a transformam. Em outras palavras, o cinema pode ser descrito da mesma forma que Clint Barton (Gavião Arqueiro) descreve o Tesseract: “uma porta para o outro lado do universo […] Uma porta abre para os dois lados”.
Os filmes, em geral, acompanham as mudanças sociais ou até mesmo as preveem. Têm a possibilidade de pensar uma realidade alguns passos à frente da atual, não apenas em tecnologia ou ciência, mas também socialmente. Através das telas, é possível imergir em um papel diferente no desempenhado na vida real e experimentar a realidade do próximo, ver suas dificuldades e sentir na pele suas tristezas. Isso gera não apenas reflexão e conhecimento, mas também empatia, e a empatia, por sua vez, pode provocar uma mudança de visão e, por consequência, uma mudança de ação.
Na Marvel, a questão social está presente de forma particularmente acentuada. Desde os primórdios da empresa, a forma como os consumidores puderam e podem se identificar com os heróis da companhia foi um forte chamariz e um dos principais motivos para o sucesso estrondoso.
Foi a esse mesmo resultado que chegou o já citado Maurício Ribeiro, em sua monografia. Ainda que, no caso, o objeto de pesquisa tenha sido uma situação menos positiva do que as abordadas acima. Em termos simples, o UCM dissemina uma visão dos Estados Unidos que faz o país, de uma forma ou outra, se sobressair ou lucrar – o que é conhecido como Soft Power.
A conclusão do autor foi muito semelhante à analisada aqui: esses filmes, considerando o tamanho de seu público, não só podem como são capazes de transmitir informações e pontos de vista em larga escala e com sucesso. E isso não se deve apenas ao alcance das obras, mas só seu próprio conteúdo, “os temas dos filmes englobam desde relacionamentos familiares, de amizade, até tramas políticas internacionais complexas. Outro ponto forte é a representatividade das personagens, que é extensa ao ponto de abordar a maioria dos grupos sociais”.
De acordo com o autor, tal diversidade faz com que todos possam, de uma forma ou outra, se identificar com os personagens e suas histórias e isso estreita os laços com o público, aumentando seu impacto. Maurício ligou isso a um fato perigoso: transmitir uma imagem dos EUA que não é de toda verdadeira e que coloca o país acima de todo o resto. No entanto, a mesma conclusão também pode ser associada a outros tópicos.Esse é um dos poderes em potencial da Marvel, assim como de outros filmes de ficção científica: disseminar informação, criar curiosidade, inspirar a mudança e motivar ao crescimento, porém não é o único.
É claro que isso não faz sentido quando se pensa em uma riqueza tão expressiva que possibilita que um único homem construa um acelerador de particular na garagem de casa, mas faz todo sentido quando se pensa em um homem que se culpa pela morte dos pais mesmo que não tenha culpa nenhuma, além de ter sido um adolescente irritante.

Homem de Ferro (“Homem de Ferro 2”) Reprodução de: Zappeando
Tony Stark (“Capitão América: Guerra Civil”) Reprodução de: IGN Portugal
Um simbionte feito com um metal imaginário também não faz parte do que se pode considerar como comum. O mesmo não pode ser dito sobre um “amor impossível”, que leva duas pessoas a esquecerem rixas e origens e lutarem para estar juntas em um mundo onde não se encaixam.

Visão (“Wanda Vision”) Reprodução de: Adoro Cinema
Wanda e Visão (“Wanda Vision”) Reprodução de: Blogue da Monique
Por fim, e apesar do que muitos possam desejar, um uniforme pomposo com asas funcionais ainda não consta na lista de meios de transforme convencional. Já a história de um homem negro que trava uma batalha interna sobre querer ou não ser o rosto de um país com uma história trágica de racismo e opressão é muito mais crível.

Falcão (“Capitão América: Guerra Civil”) Reprodução de: ePipoca
Sam Wilson – (“Falcão e o Soldado Invernal”) Reprodução de: Salada de Cinema
É na briga entre dois grupos de heróis, com pensamentos diferentes, que se pode ver que o inimigo pode até ser o mesmo, mas a forma como se luta contra ele pode ser diferente. Que boas intenções nem sempre fazem boas ações. Que, mesmo na rivalidade, sempre deve-se ter moral e ética.
Há muitos ensinamentos a serem tirados das ações dos heróis da Marvel, na forma como encaram a vida, nos traumas que superam e nas batalhas que lutam contra si mesmos. Basta apenas um pouco de criatividade e atenção para perceber que um veterano de guerra voador ou com um braço robótico ainda é um veterano de guerra, ou que um menino rico traumatizado, embora em uma armadura de ferro, ainda é um menino rico traumatizado. A realidade pode ser mascarada das formas mais inusitadas, mas por trás de todas as fantasias e armas, ainda é a realidade.
Se observa isso de forma acentuada em mais de um momento ao longo dos filmes, seja com a sutileza da metáfora política em “Capitão América: Guerra Civil” (“Capitain America; Civil War”, 2016) – onde as opiniões antagônicas de Steve Rogers (Capitão América) e Tony Stark (Homem de Ferro) representam as mesmas divergências passiveis de serem observadas nas disputas entre direita e esquerda. Ou com a explicita crítica contra o sistema financeiro que fornece empréstimos apenas para aqueles que não precisam deles como vemos em “Falcão e o Soldado Invernal” (“Falcon and the Winter Soldier”, 2021), onde também está retrata a difícil situação de pessoas negras nos Estados Unidos, assim como no mundo
Cenas de “Capitão América: Guerra Civil” e de “Falcão e o Soldado Invernal”
Reprodução de: Além do Roteiro; Vingadores da Depressão; E-Pipoca; Legião dos Heróis
Um resumo de tudo sobre o que Poder se trata, é Daniele Silva Santos. Estudante de geografia na Universidade Federal do Amazonas, a manauara conheceu a Marvel cerca de 6 anos atrás através, acredite ou não, da Sessão da Tarde. Foi quando conheceu o Capitão América, também conhecido como o primeiro vingador, além de quando começou a se inspirar com esse e outros personagens.
A história dela está na aba a baixo, basta clicar e conhecer uma heroína da vida real.
Ela vê o UCM como refúgio emocional e mental para todas as dificuldades do dia-a-dia. Em suas palavras, é “uma espécie de ‘porto seguro’ para que eu possa continuar a seguir meu caminho na Universidade, a qual é um ambiente de pressão e ansiedade”. E a importância emocional que as produções têm em sua vida não termina por aí. Observando os personagens, suas vidas, suas lutas, seus erros e acertos, ela conseguiu construir confiança, não apenas em si mesma, mas também em lidar com situações estressantes, “encontro nos personagens o motivo para seguir em frente sem medo de errar e lidar com situações de medo, pressão”, completa.






Pesquisas referentes a Amazônia realizadas por grupo da PIBIC do qual Daniele faz parte
Esse é um ótimo começo, mas não está nem perto do final. Ao longo dos seis anos nos quais a ligação de Daniele com a Marvel nasceu e cresceu, muitas coisas aconteceram. A proposta de Realidade é que as produções do estúdio, por trazerem aspectos da realidade, podem ensinar os expectadores ou despertar neles a curiosidade e/ou interesse em um assunto. Acontece que a futura geógrafa conheceu as duas situações e em mais de um cenário.
O primeiro exemplo data de 2018, ano de lançamento do sucesso de bilheteria e público que foi “Pantera Negra” (“Black Phanter”). Dessa produção, ela tomou o resultado do conflito entre T’Challa e Killmonger como uma metáfora sobre o preconceito racial e de que a melhor forma de lutar contra ele não é através do ódio, “o protagonista, T’Challa, explica que, em síntese, não funciona deste modo e o racismo proferido por brancos a negros deve ser corrigido com educação e não violência”, completa ela.
Já no que se refere a ter o interesse desperto por um personagem ou por um conceito apresentado no UCM, ela tem duas lembranças e ambas conversam perfeitamente com dois dos exemplos que, ainda que de formas diferentes, são trabalhados na joia da Realidade: O desenvolvimento do Doutor Steven Strange e a física quântica.




Indo por ordem cronológica, começamos pelo impacto derivado da história do médico arrogante que se vê abandonando tudo que acreditava ser verdade e virando um mago. É nas artes místicas que ele aprende a manipular que Daniele se viu interessada a tal ponto que mergulhou em uma profunda busca sobre o assunto, “encontrei mitologias de religiões que cultuam entidades, magia utilizada por povos ciganos, mantras, culinária específica para os praticantes de artes místicas (magos) que se situam na parte oriental do globo terrestre”. No fim, ela se deparou com uma realidade cultural que está presente na ficção, “uma questão cultural é apresentada no decorrer do filme”, pondera.
Doutor Estranho e Budismo
Reprodução de: Revista Galileu; Instituto Loureiro; G1; Ei Nerd
No que tange a sua incursão ao mundo quântico, tudo começou com o Homem Formiga. Foi com o herói que muda de tamanho que ela conheceu o que veio a definir, após extensa pesquisa, como as “dimensões próximas ou abaixo da escala atômica”. Daniele se aprofundou em artigos e outras produções acadêmicas nacionais e, ainda que não tenha se alongado ou mudado sua área de estudo, não apenas aprendeu algo novo mas também consegue voltar e encontrar a realidade na ficção para além da origem de seu interesse, “pesquisadores buscam descobrir se esta dimensão realmente existe, e seria classificada como a quinta dimensão, e o que esta pode proporcionar se no futuro fora dominada ou se há vida biológica nesta, como aponta o filme”.


Reino Quântico em “Homem Formiga e Vespa” (2018)
Reprodução de: Marvel 616
Ainda tangenciando a joia da Mente e o simbolismo empregado sobre ela nesta reportagem, a universitária está dando exemplos desde os 14 anos. Como ocorreu com outros, a senhorita Santos foi influenciada pelo Homem de Ferro e seu mundo de tecnologia tão inovadora que chega a ser mágica. “Me inspirei na infância com o Homem de ferro, com seu traje de lata tecnologicp e acabei produzindo um comando de ativação de aplicativos no meu Notebook aos 14 anos”, conta ela.
E não para por aí. A motivação derivada pela Marvel e suas produções, representada pela joia da alma, está atualmente presente na vida da geografa. No que tange esse tópico, sua maior heroína, e, também sua preferida, é Natasha Romanoff, a Viúva Negra. Talvez por se reconhecer em sua história, a personagem lhe proporcionou a vontade de viver algumas novas experiências, como ter aulas de artes marciais por dois anos ou, algo ainda mais assombroso: “faço aulas de aviação para ser piloto também por causa da personagem, pois ela sabe pilotar muitos meios de transporte”.
“A Marvel tem um peso na minha vida no quesito de inspiração. Se eu não tivesse contato com a franquia provavelmente eu seria uma pessoa insegura, medrosa. Não teria desenvolvido minha dicção e oratória (pois leio muitos quadrinhos e livros da franquia). E, provavelmente, não estaria na Universidade, produzindo artigos científicos, pois a Marvel tem personagens cientistas como Bruce Banner onde tomo também como inspiração.”
(Daniele Silva Santos)
Daniele sentiu na própria pele, ao longo de várias etapas na sua vida, quanto potencial o UCM tem para aqueles dispostos a perceber isso.
Ela vê o UCM como refúgio emocional e mental para todas as dificuldades do dia-a-dia. Em suas palavras, é “uma espécie de ‘porto seguro’ para que eu possa continuar a seguir meu caminho na Universidade, a qual é um ambiente de pressão e ansiedade”. E a importância emocional que as produções têm em sua vida não termina por aí. Observando os personagens, suas vidas, suas lutas, seus erros e acertos, ela conseguiu construir confiança, não apenas em si mesma, mas também em lidar com situações estressantes, “encontro nos personagens o motivo para seguir em frente sem medo de errar e lidar com situações de medo, pressão”, completa.






Pesquisas referentes a Amazônia realizadas por grupo da PIBIC do qual Daniele faz parte
Esse é um ótimo começo, mas não está nem perto do final. Ao longo dos seis anos nos quais a ligação de Daniele com a Marvel nasceu e cresceu, muitas coisas aconteceram. A proposta de Realidade é que as produções do estúdio, por trazerem aspectos da realidade, podem ensinar os expectadores ou despertar neles a curiosidade e/ou interesse em um assunto. Acontece que a futura geógrafa conheceu as duas situações e em mais de um cenário.
O primeiro exemplo data de 2018, ano de lançamento do sucesso de bilheteria e público que foi “Pantera Negra” (“Black Phanter”). Dessa produção, ela tomou o resultado do conflito entre T’Challa e Killmonger como uma metáfora sobre o preconceito racial e de que a melhor forma de lutar contra ele não é através do ódio, “o protagonista, T’Challa, explica que, em síntese, não funciona deste modo e o racismo proferido por brancos a negros deve ser corrigido com educação e não violência”, completa ela.
Já no que se refere a ter o interesse desperto por um personagem ou por um conceito apresentado no UCM, ela tem duas lembranças e ambas conversam perfeitamente com dois dos exemplos que, ainda que de formas diferentes, são trabalhados na joia da Realidade: O desenvolvimento do Doutor Steven Strange e a física quântica.




Doutor Estranho e Budismo Reprodução de: Revista Galileu; Instituto Loureiro; G1; Ei Nerd
No que tange a sua incursão ao mundo quântico, tudo começou com o Homem Formiga. Foi com o herói que muda de tamanho que ela conheceu o que veio a definir, após extensa pesquisa, como as “dimensões próximas ou abaixo da escala atômica”. Daniele se aprofundou em artigos e outras produções acadêmicas nacionais e, ainda que não tenha se alongado ou mudado sua área de estudo, não apenas aprendeu algo novo mas também consegue voltar e encontrar a realidade na ficção para além da origem de seu interesse, “pesquisadores buscam descobrir se esta dimensão realmente existe, e seria classificada como a quinta dimensão, e o que esta pode proporcionar se no futuro fora dominada ou se há vida biológica nesta, como aponta o filme”.


Reino Quântico em “Homem Formiga e Vespa” (2018) Reprodução de: Marvel 616
Ainda tangenciando a joia da Mente e o simbolismo empregado sobre ela nesta reportagem, a universitária está dando exemplos desde os 14 anos. Como ocorreu com outros, a senhorita Santos foi influenciada pelo Homem de Ferro e seu mundo de tecnologia tão inovadora que chega a ser mágica. “Me inspirei na infância com o Homem de ferro, com seu traje de lata tecnologicp e acabei produzindo um comando de ativação de aplicativos no meu Notebook aos 14 anos”, conta ela.
E não para por aí. A motivação derivada pela Marvel e suas produções, representada pela joia da alma, está atualmente presente na vida da geografa. No que tange esse tópico, sua maior heroína, e, também sua preferida, é Natasha Romanoff, a Viúva Negra. Talvez por se reconhecer em sua história, a personagem lhe proporcionou a vontade de viver algumas novas experiências, como ter aulas de artes marciais por dois anos ou, algo ainda mais assombroso: “faço aulas de aviação para ser piloto também por causa da personagem, pois ela sabe pilotar muitos meios de transporte”.
“A Marvel tem um peso na minha vida no quesito de inspiração. Se eu não tivesse contato com a franquia provavelmente eu seria uma pessoa insegura, medrosa. Não teria desenvolvido minha dicção e oratória (pois leio muitos quadrinhos e livros da franquia). E, provavelmente, não estaria na Universidade, produzindo artigos científicos, pois a Marvel tem personagens cientistas como Bruce Banner onde tomo também como inspiração.”
(Daniele Silva Santos)
Daniele sentiu na própria pele, ao longo de várias etapas na sua vida, quanto potencial o UCM tem para aqueles dispostos a perceber isso.
Os heróis têm pouco de real quando estão em seus trajes lutando por um mundo maniqueísta, onde tudo é preto ou branco, mas suas identidades secretas contam histórias muito diferentes. São as pessoas que admiram, as profissões que escolhem, os traumas que superam, seus talentos, seus cérebros científicos e suas concepções do universo e da sociedade que têm o grande potencial de causar reflexão e mudança, de expressar, em momentos marcantes, diálogos emocionantes, cenários impactantes e efeitos especiais explosivos, a realidade.
A JORNADA CONTINUA EM