A joia da Mente tem um lugar especial no MCU, sendo que está presente desde o primeiro crossover a reunir os heróis mais poderosos da Terra em uma única cena. Desde a feliz estreia de “Vingadores” (“Avengers”, 2012), a gema amarela se tornou cada vez mais marcante e fundamental para o desenvolver da Saga do Infinito e de seus personagens, seja a curto ou a longo prazo.

Loki com a Joia da Mente dentro do cajado (“Vingadores”, 2012)

Reprodução de: Noticias da TV – UOL

No mundo do cinema, esse pequeno receptáculo de um poder incalculável oferece uma vasta gama de possibilidades a seu portador: permite o controle mental, criar uma Inteligência Artificial tão perfeita que ela pode crescer e virar um vilão apocalíptico, ser a base de um cérebro para um simbionte indestrutível e, o que mais se aproxima da sua representação nessa reportagem, abrir horizontes mentais para pensamentos, conhecimentos e perspectivas que vão muito além do atual panorama de informação humano.

A Joia da Mente sendo usada para controlar Clint Barton (“VIngadores, 2012) – Reprodução de: CBR;

 Inteligência artificial desenvolvida com base na Joia da Mente atacando Jarvis – Reprodução de: AWN;

Visão com a Joia da Mente – Reprodução de: The Nexus; 

Dr. Erik Selvig sobre a influência das joias da Mente e do Espaço – Reprodução de: Fatos Desconhecidos;

É claro que, como tudo até aqui, a forma literal deste poder não se encaixa. No entanto, ao aproximá-lo para o conceito cru de inspiração, começa-se a perceber um novo conjunto de perspectivas. A joia da mente representará, na perspectiva aqui proposta, as pessoas que, ao assistir aos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, tiveram insights tão construtivos que conseguiram conectar as cenas, personagens e histórias a conhecimentos anteriormente adquiridos e transformar isso em uma coisa nova.

Assim, através de mentes abertas, o Universo Cinematográfico da Marvel se expande para novos cenários e conexões. Por exemplo, pode-se citar trabalhos como As Joias do Infinito: uma abordagem comparativa entre as gemas fictícias do Universo Cinematográfico da Marvel e gemas reais, de Alan Felipe dos Santos Queiroz, “O Macacão da Capitã: a construção discursiva da nova superheroína por meio do figurino em Capitã Marvel”, de Lucas do Carmo Delberto, “Identidade Negra, Relações Étnico-Raciais na Diáspora e o Filme Pantera Negra: para uma discussão educacional”, de Wellington Oliveira dos Santos, “O Pensamento de Maquiavel em ‘Vingadores: Guerra Infinita”, de Matheus Passos Silva e tantos outros.

Em cada caso, uma obra dos estúdios Marvel foi agregada ou agregou uma área do conhecimento ou da sociedade. O resultado foram diferentes formas de se passar vários conhecimentos através de um exímio exemplar da cultura POP, o que também cumpre a exigência de atrair a atenção do público.

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas:

Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest; 

Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes;

Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest;

Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas: Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest;  Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes; Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest; Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas:

Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest; 

Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes;

Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest;

Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas: Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest;  Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes; Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest; Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Tudo isso para chegar à conclusão de que as obras da Marvel nos permitem imaginar mudanças no mundo, realizadas através de cada indivíduo por elas impactado. A cada expectador que é influenciado a pensar a própria realidade diferente, ao ponto em que consegue ir além das fronteiras do possível para repensar ou incrementar algo já concebido, representa um passo para o futuro do mudo e da humanidade.

Nessa interpretação, a joia da mente, traz outra curva na estrada que se entende como a análise do poder retido nas obras do UCM. Além de uma continuação e incrementação da realidade já discutida anteriormente. Essas obras audiovisuais não apenas refletem o real, mas também podem inspirar seu público a incrementar o que já existe e aperfeiçoar não só o seu meio, mas a si mesmo.

A JORNADA CONTINUA EM 

A joia da Mente tem um lugar especial no MCU, sendo que está presente desde o primeiro crossover a reunir os heróis mais poderosos da Terra em uma única cena. Desde a feliz estreia de “Vingadores” (“Avengers”, 2012), a gema amarela se tornou cada vez mais marcante e fundamental para o desenvolver da Saga do Infinito e de seus personagens, seja a curto ou a longo prazo.

Loki com a Joia da Mente dentro do cajado (“Vingadores”, 2012)

Reprodução de: Noticias da TV – UOL

No mundo do cinema, esse pequeno receptáculo de um poder incalculável oferece uma vasta gama de possibilidades a seu portador: permite o controle mental, criar uma Inteligência Artificial tão perfeita que ela pode crescer e virar um vilão apocalíptico, ser a base de um cérebro para um simbionte indestrutível e, o que mais se aproxima da sua representação nessa reportagem, abrir horizontes mentais para pensamentos, conhecimentos e perspectivas que vão muito além do atual panorama de informação humano.

A Joia da Mente sendo usada para controlar Clint Barton (“VIngadores, 2012) – Reprodução de: CBR;  Inteligência artificial desenvolvida com base na Joia da Mente atacando Jarvis – Reprodução de: AWN; Visão com a Joia da Mente – Reprodução de: The Nexus;  Dr. Erik Selvig sobre a influência das joias da Mente e do Espaço – Reprodução de: Fatos Desconhecidos;

É claro que, como tudo até aqui, a forma literal deste poder não se encaixa. No entanto, ao aproximá-lo para o conceito cru de inspiração, começa-se a perceber um novo conjunto de perspectivas. A joia da mente representará, na perspectiva aqui proposta, as pessoas que, ao assistir aos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, tiveram insights tão construtivos que conseguiram conectar as cenas, personagens e histórias a conhecimentos anteriormente adquiridos e transformar isso em uma coisa nova.

Assim, através de mentes abertas, o Universo Cinematográfico da Marvel se expande para novos cenários e conexões. Por exemplo, pode-se citar trabalhos como As Joias do Infinito: uma abordagem comparativa entre as gemas fictícias do Universo Cinematográfico da Marvel e gemas reais, de Alan Felipe dos Santos Queiroz, “O Macacão da Capitã: a construção discursiva da nova superheroína por meio do figurino em Capitã Marvel”, de Lucas do Carmo Delberto, “Identidade Negra, Relações Étnico-Raciais na Diáspora e o Filme Pantera Negra: para uma discussão educacional”, de Wellington Oliveira dos Santos, “O Pensamento de Maquiavel em ‘Vingadores: Guerra Infinita”, de Matheus Passos Silva e tantos outros.

Em cada caso, uma obra dos estúdios Marvel foi agregada ou agregou uma área do conhecimento ou da sociedade. O resultado foram diferentes formas de se passar vários conhecimentos através de um exímio exemplar da cultura POP, o que também cumpre a exigência de atrair a atenção do público.

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas:

Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest; 

Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes;

Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest;

Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas: Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest;  Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes; Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest; Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Como exemplo temos o trabalho de Alan Queiroz, Geólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Abaetetuba/PA, com mestrado em Mineralogia e Geoquímica. Ele propõe em seu trabalho comparar as gemas místicas a minerais reais, encontrados no planeta Terra, para então tornar a ficção um exemplo do real.

Além disso, como um espelho deste próprio trabalho, existe o interesse em contemplar os filmes dos estúdios Marvel como um possível difusor de conhecimentos.  No caso específico do trabalho de Alan, o geólogo vê o potencial de instigar o interesse de pessoas por informações sobre gemas e joias, visto o grande sucesso e fascínio que esse mundo de super-heróis e poderes mágicos proporciona”.

Pensando nisso, lembramos que não é incomum – em feirinhas de rua, em joalherias, casas exotéricas e outros ambientes de alguma forma relacionados a pedras, sejam essas preciosas ou não –  um olhar marcado pelo misticismo, de que as gemas têm um papel a mais do que somente enfeitar. Pedras dos signos, simbologia das gemas, cristais de poder ou outra denominação qualquer pela qual as pessoas escolhem se referir a antiga tradição de empoderar esses brilhantes objetos: esse é o tema que Alan quis trazer em seu trabalho.

“Tanto nas histórias em quadrinhos quanto na sua adaptação para o cinema, as Joias do Infinito fornecem poderes especiais ao seu portador, retratando, de certa forma, uma antiga crença do homem de que minerais podem apresentar poderes sobrenaturais.”

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

O geólogo acompanhou o UCM desde 2008. Mas, e de forma muito semelhante ao ocorrido com essa que vos escreve, não se sentiu muito integrado ao mundo dos Super Heróis da Marvel. Ao menos até 2011, quando foi lançado o filme de apresentação do Capitão América e as coisas começaram a mudar.

Como ocorre com qualquer coisa que gere apelo emocional, principalmente quando se cresce desenvolvendo tal afetividade a um nível tão intenso, uma mínima janela de futuro é o suficiente para deixar a mente focada no assunto. Assim, Alan se viu frenético com o trailer de Guerra Infinita, enquanto era desafiado por seu orientador a escrever um artigo científico em sua área. Aparentemente, não foi difícil somar a primeira aparição concreta de Thanos, reunindo as joias, com a necessidade de encontrar um tema e chegar à conclusão de que o útil pode se unir ao agradável.

Trailer de “Vingadores: Guerra Infinita”

Reprodução de: Marvel Brasil

Segundo ele, a produção do trabalho não apenas foi rápida como também contou com a “difícil” tarefa de rever vários filmes do Universo Marvel. O artigo propriamente dito é sobre divulgação científica, ou seja, sobre atrair o público para a área, então o principal foram as comparações do real com as produções do estúdio, principalmente “Guardiões das Galáxias” (“Guardians of the Galaxy”, 2014) e “Doutor Estranho” (“Doctor Strange”, 2016). Ambas as produções são as grandes responsáveis por explicar as joias do infinito para os cinéfilos que não consomem HQs.

Conversam sobre a Joia do Tempo (“Doutor Estranho”, 2016)

Reprodução de: Disney Plus

Colecionador explica as Joias do Infinito (“Guardiões da Galáxia”, 2014)

Reprodução de: Disney Plus

Além desse artigo, Alan é firme em apontar que muitas das produções Marvel podem originar temas para estudos científicos, independente do contexto. Assim, o potencial de inspiração e ensinamento se tornam gigantes, principalmente se pensarmos, como lembra o geólogo, que “o conhecimento de nossos ancestrais foi compartilhado pelas gerações através de histórias, cânticos e mitos”. O cinema atual é uma das formas evolutivas das antigas rodas de conversa e ensinamento. Ainda que nem todos os expectadores na sala saiam dela com uma nova perspectiva de mundo, por assim dizer, alguns sairão e se, como já dizia Steen Lee, “uma pessoa pode fazer uma grande diferença”, isso já causa impacto.

 

“A ciência e a sociedade vivem em conjunto, nós cientistas somos os responsáveis por fazer essa ponte e tornar a linguagem científica mais acessível para a sociedade, de modo que todos possam contribuir de alguma forma com a ciência. Na minha opinião, não há limites para a inspiração. Há tantos temas que podemos abordar com os filmes (desde as ciências da terra, informática, evolução tecnológica, até psicologia, etc.) que limitar a imaginação seria totalmente contraditório com a concepção dos filmes, que foram feitos para atiçar nossa imaginação e nos levar para lugares [sobre os quais] nunca havíamos pensado antes.”  

                                                     

(Alan F. S. Queiroz)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas:

Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest; 

Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes;

Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest;

Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Já para Lucas Delberto, designer e professor universitário, graduado em Design, os temas feministas sugerem a percepção de que a Marvel está oferecendo um novo cenário ao que se refere à figura da super-heroína. Assim como para a forma como elas são apresentadas e a como isso reflete uma mudança no contexto cultural da sociedade contemporânea. É uma forma de mostrar como o cinema espelha mudanças de pensamento e até os aprimora, acabando por afetar, de fato, a sociedade.

O elemento escolhido por ele para focar o tema foi a roupa utilizada pela Capitã Marvel em seu filme solo homônimo, lançado em 2019. O macacão em questão reflete, como constatado no artigo, uma mudança de paradigma entre o que se observou em filmes anteriores de super-heroínas (onde a maior arma das protagonistas era a sexualidade) e um possível futuro para o gênero cinematográfico (onde a heroína é reconhecida por sua força, seus poderes e sua capacidade de limpar o chão com homem opressores, por assim dizer).

Algumas heroínas da Marvel e da DC que foram cinematografadas: Mulher Gato (“Mulher Gato”, 2004) – Reprodução de: Pinterest;  Elektra (“Elektra”, 2005) – Reprodução de: Fan Share;  Mulher Invisível (“Quarteto Fantástico, 2005) – Reprodução de: Pinterest;  Jean Grey (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Marvel Wiki;  Tempestade (“X-Men: Confronto Final”, 2006) – Reprodução de: Loucos por Filmes; Viúva Negra (“Homem de Ferro 2”, 2010) – Reprodução de: Diversório;  Gamora (“Guardiões da Galáxia”, 2014) – Reprodução de: Pinterest; Feiticeira Scarlate (“Vingadores: Era de Ultron”, 2015) – Reprodução de: PNG Egg;  Vespa (“Homem Formiga e Vespa”, 2018) – Reprodução de: Revista Monet;

No entanto, para entender sua conclusão, é necessário falar da história do pesquisador e de como ela dialoga com a Marvel. Lucas nasceu nos anos 1990 e, como tantos, teve um primeiro contato através do desenho dos X-Men quando os direitos de reprodução eram da Globo. Foi essa ligação que o levou ao cinema para a aguardada adaptação dos heróis em live-action.

Os seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQs. Consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do design e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

O grupo de seres humanos dotados do gene X e de poderes incríveis, eram os preferidos do, então, garotinho. E foram a porta de entrada para o mundo das HQ’s, consequentemente, de outros heróis e do próprio UCM. Essas conexões foram crescendo junto com ele, assumindo novas perspectivas a cada mudança de visão do designer e, por isso, ele não pode deixar de notar algo.

Há anos eu sentia a ausência do protagonismo feminino nas superaventuras do MCU”, conta ele. Abrindo um pouco a visão, ele declara que isso não apenas se relaciona à Marvel, mas a todo o gênero de heróis, “o sucesso de Mulher Maravilha demonstrou uma certa guinada do mercado na forma como essas personagens vinham sendo exploradas”.

Os filmes “Mulher Maravilha” (“Wonder Woman”, 2017) e “Capitã Marvel” (“Capitain Marvel”, 2019), são de estúdios diferentes, se passam em épocas diferentes, têm propostas diferentes. No entanto, ambos acompanham a evolução de duas super-heroínas encontrando seu lugar no universo, ainda que com looks completamente diferente entre si.

Armadura da Mulher Maravilha (“Mulher Maravilha”, 2017)

Reprodução de: Pinterest

Macacão da Capitã Marvel(“Capitã Marvel”, 2019)

Reprodução de: Pinterest

Foi justamente na comparação entre eles que Lucas chegou à seguinte conclusão: “Ainda que Mulher-Maravilha tenha apresentado uma nova abordagem da super-heroína, o corpo de Gal Gadot está mais evidente no figurino. […] Já a Capitã passa a maior parte de sua narrativa praticamente inteira coberta pelo macacão de combate”. A partir disso, nasceu o artigo em questão.

Esse nicho de pesquisa já vem influenciando a produção acadêmica de Lucas há algum tempo, inclusive sendo sua tese de mestrado. Se dedicar a “compreensão e análise desse corpus”, lhe rendeu uma observação não apenas sobre o UCM, mas ao próprio mercado cinematográfico: “Vivemos em um momento em que as demandas das minorias podem ser monetizadas e, desta forma, se tornar produtos lucrativos para os estúdios”. Isso torna interessante aos estúdios uma abordagem nova de velhos temas. Um exemplo dado pelo próprio Lucas é a evolução da Viúva Negra, desde “Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, 2010) – quando apareceu obviamente sexualizada – até “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”, 2019) – quando praticidade passa a ser o foco.

De forma resumida, o cinema reflete o que o público quer ver já que, em geral, isso significa lucro. Recentemente, de acordo com as pesquisas do professor Dalberto, isso tem adquirido um novo significado, acredito ainda que estejamos vivenciando o momento de transição da representação para a representatividade”. O que, basicamente, significa que não basta mais apenas dar alguns minutos de tela a um personagem que represente uma minoria. Agora, a presença deve vir acompanhada de um posicionamento, de uma função política, “e não simplesmente com a presença imagética desses indivíduos que não eram contemplados ou evidentes até então, completa ele.

““Bens culturais têm muito a dizer sobre o nosso contexto sociocultural. […] Nesta conversa, por exemplo, citei as questões mercadológicas […] e como a mudança do olhar sobre o feminino permitiu novos espaços para as mulheres nas tramas. Ainda que alguns pesquisadores torçam o nariz para o cinema blockbuster, acho inviável desconsiderar produtos que têm a capacidade de alcançar tanta gente, em diferentes partes do mundo, em diferentes contextos, de diferentes formas. Como Douglas Kellner comenta a cultura midiática é a cultura dominante de nossa era. […] Como tal, o pesquisador pode extrair desses produtos diversas abordagens para análises dos mais diferentes temas.”

                                                     

(Lucas Delberto)

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Outro exemplo cabível é essa própria reportagem. Para mim, uma estudante do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, com um amor pelo cinema e pela ficção (seja do tipo que for) e uma pessoa que sofre um pouquinho de ansiedade, o trabalho de conclusão de curso sempre foi uma preocupação. Entre outros motivos, o tema que eu escolheria em muito me assustava. Representava um gasto enorme de energia ao longo de meses a fio de pesquisa e dedicação, e eu tinha medo de terminar presa a algo que veria apenas como uma obrigação, que não me daria nenhuma alegria ou expectativa.

Foi em um domingo de preguiça que tive o primeiro insight para o esboço de uma ideia. Acredite ou não, mas o tema não foi motivado por nada da Marvel e sim por “Cartas para Julieta” (“Letter to Juliete”, 2011). Mais especificamente na profissão da protagonista: uma jornalista que se dedicava a averiguar a verdade em livros semi-biográficos através da busca de fontes e entrevistas.

Poster de “Cartas para Julieta”

Reprodução de: SAPO

Como deve ter percebido, o tema mudou muito de lá para cá. A mudança demorou e, com toda certeza, não aconteceu em uma única etapa, mas seu climax foi no dia 24 de abril de 2019. O primeiro sábado depois do lançamento de Ultimato, o dia em que vi ao filme em uma sala de cinema, que experimentei a loucura que foi ver a sessão virar um estádio de futebol cheio de fãs alucinados e, mais importante, quando fiz parte desse movimento.

O momento literalmente mudou minha vida, só consegui falar dele por muitas semanas e muitas semanas. Para ajudar, minhas redes sociais estavam preenchidas com memes, reações, imagens e vídeos do filme. Inclusive, foi assim que terminei tento acesso a uma entrevista com Clifford Johson e tive uma perspectiva nova sobre o UCM, e os blockbusters em geral e sobre a própria ciência. Um dos temas fundamentais desse trabalho me atingiu ali, mas o papel que isso podia ter veio em um momento um pouco menos agradável.

Poster de “Os Vingadores”

Reprodução de: MCU Wiki

Para mim, a Marvel sempre teve um significado muito grande, principalmente no sentido emocional. “Vingadores” representou um momento de esperança em meio ao tornado emocional que foi o divórcio dos meus pais e, a partir de então, as produções do estúdio se tornaram um escape. Quando mudei de escola no segundo ano do ensino médio, foram esses filmes que me tiraram de uma triste solidão e iniciaram minhas primeiras conversas com quem viriam a ser alguns dos meus melhores amigos. No cursinho pré-vestibular, tive interesses inusitados e completamente novos (lê-se física) porque os professores traziam esses personagens como exemplos.

Conhecendo a história, acho que não fica difícil adivinhar o que senti na faculdade, enquanto ouvia colegas e professores se referindo a Ultimato, na verdade a todo o gênero de filmes de heróis e cia, como apenas um entretenimento. Uma amostra de como Hollywood ficara vazia ao longo da busca pelo lucro. Apesar de um pouco desencorajada, resolvi bater o pé e pesquisar mais sobre o assunto. Já tinha algumas informações E curiosidades resultantes do que já havia pesquisado e uma nova perspectiva e eis que se mostrou muito promissor.

Ao longo do desenvolvimento descobri que não fui a primeira a ver o potencial dos filmes e séries. A cada entrevista que encontrava, com cada pessoa com quem falava, esse pensamento parecia mais concreto e mais estimulante. Para muitos, ainda que de formas diferentes, esse universo fantástico representou mais e isso resultou em trabalhos incríveis, mudanças de vida e novas oportunidades.

Essa era a visão que eu quis e quero passar: como o Universo Cinematográfico da Marvel (e outros filmes de ficção também) se relaciona com o real? O que podemos tirar dele, fazer com ele, se não nos restringirmos a vê-lo como apenas um entretenimento “barato”? Fazer o trabalho terminou sendo ainda mais fácil e prazeroso do que imaginei. Quanto mais eu lia, mais parecia fazer sentido e mais coisas tinha para embasar, mais exemplos para mostrar, até que o mais difícil se mostrou ser escolher.

Tudo isso para chegar à conclusão de que as obras da Marvel nos permitem imaginar mudanças no mundo, realizadas através de cada indivíduo por elas impactado. A cada expectador que é influenciado a pensar a própria realidade diferente, ao ponto em que consegue ir além das fronteiras do possível para repensar ou incrementar algo já concebido, representa um passo para o futuro do mudo e da humanidade.

Nessa interpretação, a joia da mente, traz outra curva na estrada que se entende como a análise do poder retido nas obras do UCM. Além de uma continuação e incrementação da realidade já discutida anteriormente. Essas obras audiovisuais não apenas refletem o real, mas também podem inspirar seu público a incrementar o que já existe e aperfeiçoar não só o seu meio, mas a si mesmo.

A JORNADA CONTINUA EM